Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Divulgação: «Resistir é existir, a vida em Jerusalém ocupada»

Dia 22 de Maio na CasaViva

21h30 - "Resistir é Existir, A vida em Jerusalém Ocupada"

Conversa com: Sharon Lalerazi

Desde a ocupação e anexação de Jerusalém Oriental em 1967, os residentes palestinos sofrem de assédio burocrático e militar, muitos sem terem acesso a direitos humanos básicos. Além de um apartheid legalizado, tem existido uma constante luta pelas terras, Israel tem expropriado e proibido o uso de mais terras pelos palestinianos. Entretanto os colonos israelitas estão a ocupar estas mesmas terras palestinas.

Info: http://pt.indymedia.org/conteudo/agenda/25153

Segunda-feira, 8 de Abril de 2013

Tradução da carta para Souto Moura da Architects & Planners For Justice in Palestine

ARCHITECTS & PLANNERS FOR JUSTICE IN PALESTINE
http://apjp.org/
27 March 2013

Caro arq. Souto de Moura
Assunto: Prémio Wolf

Na sequência da nossa carta de 7 de Fevereiro, voltamos a escrever-lhe para pedir-lhe que reconsidere as consequências da sua aceitação do prémio israelita Wolf para a arquitectura. Embora seja a sua escolha individual aceitar ou não esse prémio, gostaríamos de sublinhar com todo o respeito que essa escolha será feita num contexto político muito controverso, com consequências importantes para a ética e a reputação da nossa profissão.

A atribuição do prémio da Fundação Wolf para a Arquitectura de 2010 coloca-o na mais destacada companhia daqueles que o receberam, como é suposto e como é merecido. Embora o Dr. Ricardo Wolf tenha nascido na Alemanha e tenha sido o embaixador de Cuba em Israel em 1961-73, ele tornou-se cidadão israelita posteriormente e a Fundação Wolf faz actualmente parte do Estado de Israel. Enquanto na origem o dinheiro da Fundação era privado, o Tribunal de Contas de Israel supervisiona agora as actividades da Fundação e o ministro israelita da Educação e Cultura é o presidente do conselho da Fundação. Os prémios Wolf são portanto distinções do Estado de Israel e não podemos pretender que eles são separados desse Estado ou que não são “políticos”.
Além disso os prémios são concedidos pelo presidente de Israel no parlamento nacional, o Knesset. Aí estão líderes de Israel responsáveis por acções coloniais que resultaram em expansão territorial ilegal, massacres e destruição urbana terrível, em guerras e crimes de guerra contínuos contra os palestinianos sob ocupação israelita. Esta violência é também exercida contra os Estados vizinhos como o Líbano e recentemente em dois ataques mortíferos a Gaza, em actos de matança gratuita e urbicida, com o uso de armas sofisticadas.

É irónico que Israel esteja a atribuir um prémio para a prática da arquitectura, que é utilizada no seu próprio país como um instrumento de guerra, apartheid, opressão, humilhação, expropriação e limpeza étnica, tudo isto totalmente em contradição com a nossa profissão humana, com os acordos da União Internacional dos Arquitectos (UIA) e com a condenação da UIA.
A afirmação de que o prémio é atribuído “independentemente do género, do sexo ou de atitudes políticas” é cínica, pois ironicamente, a discriminação racista institucional de Israel contra os palestinianos, tanto os que são cidadãos de Israel como os que vivem nos territórios ocupados ilegalmente, tem sido repetidamente condenada pela ONU e pelas organizações de direitos humanos. Esses prémios são usados como cobertura para projectar uma imagem de um Estado moderno, democrático, e para desviar a atenção das suas políticas de apartheid étnico contra os palestinianos sob sua administração, que vêm sendo implementadas há 65 anos com impunidade. Sabemos que também o senhor se pronunciou no passado contra as políticas “criminosas” de Israel contra os palestinianos, numa carta assinada pelo falecido José Samarago.

Quando muitos arquitectos de grande reputação, alguns deles seus amigos e colegas, receberam o Prémio Wolf ao longo dos anos, é possível que eles não estivessem conscientes na altura da dimensão das violações das convenções de Genebra e do desrespeito da lei internacional e humanitária na prática israelita da arquitectura. Isto inclui a construção nos territórios ocupados, nos colonatos ilegais da Cisjordânia e o avanço acelerado da judaização de Jerusalém Oriental e dentro do próprio Israel, sob o quase completo silêncio dos seus arquitectos. Peter Higgs, o pioneiro de Higgs Boson, foi galardoado com o Prémio Wolf para a Física em 2004, mas recusou ir a Jerusalém para o receber, porque opunha-se às acções de Israel no Médio Oriente. Muitos outros artistas, músicos e escritores famosos estão a recusar prémios ou actuar em Israel. Com a UE neste momento a recomendar sanções contra Israel pela mais longa ocupação dos tempos, e o apelo urgente da sociedade civil palestiniana ao boicote de tais eventos e prémios oferecidos por Israel, http://pacbi.org/etemplate.php?id=869> , não podemos alhear-nos da realidade que implicaria aceitar um prémio ostensivamente prestigiante.

Rejeitar esse prémio indicaria uma posição moral bem mais necessária contra a escalada de crimes de guerra e de injustiças perpetuados com a mais completa impunidade pelo Estado de Israel enquanto atribui esse prémio. Seria uma poderosa afirmação de apoio à justiça, liberdade e dignidade dos oprimidos e seria uma proeza de grande honra, uma afirmação corajosa da humanidade da nossa profissão. Esperamos que responda a este apelo.

Com os melhores cumprimentos e a mais alta consideração.

Abe Hayeem, RIBA, Chair, Architects & Planners for Justice in Palestine (APJP) & Charles Jencks, Architect, Historian, Writer and Critic, UK/USA. Ted Cullinan, CBE, RA, Winner RIBA Royal Gold Medal 2008 Will Alsop, RA, OBE:, Winner Stirling Prize 2000, UK. Eva Jiricna, Winner Jane Drew Prize Neave Brown, Architect, Artist, UK Hans Haenlein, MBE, Dip.Arch RIBA, FRSA Cezary Bednarski, MSc DipArch RIBA FRSA, UK Kate Mackintosh, Architect, UK Jake Brown, Architect, UK Louis Hellman, Architect, Cartoonist, UK Suad Amiry, Chief Architect, RIWAQ, (Centre for Architectural Conservation), Author, Ramallah, West Bank, Palestine Khaldun B’Shara, Architect, Co-Director RIWAQ, Ramallah Ed Hall, Architect, Banner maker, Turner Prize associate, UK Walter Hain, Architect, UK Bob Giles, Architect, UK Dr. Yara Sharif, PhD, Univ.of Westminster, Architect UK & Ramallah Nasser Golzari, NGA, Architect, UK, Lecturer, Oxford Brookes Univ Dick Urban Vestbro, Emeritus Professor, Stockholm, ARC-Peace Luz Maria Sanchez, Architect,Spain,Co-Chair:ARC-Peace Int. Paul Broches, FAIA, Partner, Mitchell/Giurgola Architects, LLP, New York David Berridge, AADipl RIBA Oscar Margenet Nadal. Architect, Majorca Bijay Anand Misra, Architect, India Stephan Hawranick Serra, Architect, Spain Patricia Canelas, Architect, Portugal Ahmad Barclay, Architect, Beirut, Lebanon Gail Waldman, Architect, UK Predrag Milosevic, Prof. of Arch, Belgrade, Serbia, Yugoslavia Öystein Grönning. Architect, Norway Ryoichi Shuto, Architect, Japan Isabel Camacho, Architect, Spain Martin O’Shea, RIBA, UK Michael Goulden, Architect, Wales Malcolm Hecks, Architect, France John Murray, Architect, UK Graeme Bristol, Architect, UK Blaise Crouzier, Architect HES, Geneva Farhat Muhawi, Architect Head of Planning (RIWAQ), Ramallah, Palestine Fida Touma, Architect, Ramallah, Palestine Jan Dobrowolski, Architect UK Frank Agostino de Marco, Architect, UK Franziska Amacher, Cambridge Mass., Architects/Designers/Planners for Social Responsibility (ADPSR) USA Farooq Rafiq, Planner UK Kim Linden, Planner, Melbourne Australia Federico Malusardi, Architect, Italy Andrea Fitrianto, Architect, Italy Terry Meade, Lecturer, Univ. of Brighton Chris Teague, Dip, Arch Hons, Architect UK Eric Wojchik, Planner, Stornoway Klaus Faulhaber, Architect, UK Nick Wood, Architect, UK Sara Wood, MA, UK John Hodge, RIBA, Architect, UK Feras Hammami, Architect, Stockholm Naseer Arafat, Architect, Director of NGO “The Cultural Heritage Enrichment Centre”, Nablus, West Bank Lina Suleiman, Planner, Royal Institute of Technology, Stockholm, Sweden Angelika Öyster, Architect, Athens, Greece Ebba Högström, Architect, Associate Prof, Blekinge Inst. of Tech., Sweden Amjad Kurdi, Architect, Al Habtoor Leighton Group, United Arab Emirates Mohammad Hijjawi, Architect, An-Najah National University, Nablus, W.Bank Susan Abu Farha, Architect, Palestine Mahdi Abu Aisheh, Architect, Project manager in DiLeonardo Int., UAE Karolina Isaksson, Planner, Associate Professor of Planning- and Decision Making, The Swedish National Road and Transport Research Inst., Sweden Rita Santos, Planner, Royal Institute of Technology, Sweden Majd Shaqu, Ministry of Education, West bank, Palestine Shatha Alawneh, Architect, Ministry of Public Works and Housing, West Bank, Palestine Anna Wedin, Environmental Planner, Sweden Ayham Al Shal'out, Architect, Millennium Energy Industries, Jordan Mike Smeir, Architect, CATD Architects, Jerusalem, Palestine Ohuda Nabulsi, Architect, Global Communities International, West Bank Suzan Abu Farha, Architect, West Bank, Palestine Zeinab N. Tag-Eldeen, Architect, Royal Institute of Technology, Sweden Luciane Borges, Architect, Royal Institute of Technology, Sweden + ARC-PEACE as an organization.

Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2013

Grinaldas de Ruído - «Criar é resistir. Resistir é criar»


An Nabi Saleh - Uma grinalda de bombas de ruído. Relembro que an Nabi Saleh é uma aldeia da cisjordânia perto de Bi'lin, cujo abastecimento em água é racionado devido à proximidade dos colonatos. Relembro dois habitantes de An Nabi Saleh: Mustafa Tamimi, assassinado com uma bomba lacrimogénio em pleno rosto disparada à queima roupa; Rushdi Tamimi assassinado com munições reais cerca de um ano depois... Esta grinalda surge quase em homenagem às palavras de S. Hessel: «Criar é resistir. Resistir é criar»

Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2013

Carta a Souto Moura: Eduardo Souto Moura: rejeite o prémio do apartheid!

Arquitecto Português Eduardo Souto Moura: rejeite o prémio do apartheid! 
A “Campanha Palestiniana para o Boicote Académico e Cultural de Israel” (PACBI) está extremamente decepcionada com a notícia de que tenciona aceitar, em Maio próximo, o Prémio Wolf de Israel, numa altura em que o movimento internacional de boicote a Israel está a ganhar terreno, face às flagrantes violações da lei internacional e dos direitos humanos dos palestinianos. 
Apelamos a que reflicta sobre as implicações de aceitar esta prova de reconhecimento dum Estado colonial de apartheid e que, em consequência, recuse o prémio. Irá receber este prémio pessoalmente e das mãos do presidente de Israel - um Estado que há mais de seis décadas impôs um regime colonial e de apartheid sobre o povo da Palestina e tem, nos últimos 46 anos, administrado o território da faixa de Gaza, da Cisjordânia e de Jerusalém-Oriental pela força militar. 
Enquanto lhe escrevemos, Israel continua a construção de colonatos ilegais exclusivamente judeus em terra palestiniana ocupada, prosseguindo a instalação de infraestruturas de separação como estradas, bloqueios e o infame muro do apartheid, declarado ilegal pelo Tribunal Internacional de Justiça da Haia em 2004. Israel nega assim a milhões de refugiados palestinianos o seu direito internacionalmente reconhecido de regressar às suas terras, como estipulado nas resoluções das Nações Unidas. Além disso, mantém um sistema de discriminação racial contra os seus próprios cidadãos palestinianos. 
O homem de cujas mãos vai receber o prémio, Shimon Peres, tem um passado pesado de implicação em crimes de guerra e graves violações dos direitos humanos. Em 1996, quando Israel ainda ocupava o sul do Líbano, Peres no papel de primeiro-ministro lançou a operação “Vinhas da Ira”, causando destruição em massa e forçando 400.000 cidadãos libaneses a fugir das suas casas, entre os quais cerca de 800 a procurarem refúgio na base da ONU na aldeia de Qana no sul do Líbano. Posteriormente, o exército israelita bombardeou a base, matando 102 civis, na sua maioria mulheres, crianças e idosos. Muitos mais ficaram feridos. A Organização das Nações Unidas, a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch comprovaram que o ataque à base da ONU foi deliberado, desmentindo as alegações de Israel no sentido contrário. 
Shimon Peres também é um dos autores do programa militar nuclear de Israel – programa esse que está fora do escrutínio da Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA) – e é considerado responsável pelo estabelecimento do primeiro colonato em território ocupado no coração da Cisjordânia, Kedumim, que vem aterrorizando os seus vizinhos palestinianos até hoje. Peres preside um Estado que continua a construir colonatos ilegais em terras ocupadas e um elaborado sistema de barreiras, muros e estradas, visando separar, segregar e colonizar. A este respeito, gostaríamos de chamar a sua atenção para o facto de a arquitectura e as profissões associadas em Israel estarem profundamente implicadas na projecção e implementação do sistema de apartheid na Palestina. Os seus colegas em Israel não conseguiram, enquanto entidade colectiva, dissociar-se da degradação da sua profissão e são assim cúmplices pelo seu silêncio ou pelo conluio activo com o sistema. Esta é também uma boa oportunidade para chamarmos a sua atenção para um grupo internacional de arquitectos e planeadores de consciência, “Architects and Planners for Justice in Palestina”, que têm feito uma campanha incansável para desafiar a continuação da afiliação de Israel na União Internacional de Arquitectos até ao dia em que os seus arquitectos e urbanistas e corpos representativos respeitem a Carta da UIA (União Internacional dos Arquitectos) e os preceitos da lei internacional. Como foi o caso na África do Sul, onde a solidariedade internacional teve um papel crucial no desmembramento do apartheid, ao boicotar as estruturas económicas, educacionais e culturais do regime, esperamos sinceramente que rejeite o Wolf Prize. 
Este prémio é oferecido por uma instituição cujo Conselho é encabeçado por um ministro do governo israelita e é apresentado pelo chefe de Estado de Israel. Apelamos a que não participe no branqueamento público dos crimes de Israel. Prémios como o Wolf Prize e as cerimónias que lhe estão associadas são ocasiões nas quais Israel tenta legitimar a sua presença no seio da comunidade internacional de cientistas, artistas e intelectuais, não obstante prosseguir obstinadamente com a limpeza étnica, a discriminação e a negação do direito dos palestinianos à autodeterminação. Pedimos-lhe que negue este protagonismo ao Estado de Israel, até que este se obrigue a respeitar a lei internacional. 
Cordialmente, 
PACBI 
pacbi@pacbi.org  

Sobre a PACBI (Campanha Palestiniana para o Boicote Académico e Cultural de Israel)  
Em 2004, inspirados pelo triunfante boicote cultural e académico ao apartheid na África do Sul e apoiados por sindicatos e grupos culturais palestinianos de relevo, a PACBI lançou um apelo ao boicote cultural e académico de instituições implicadas nas violações dos direitos humanos palestinianos e do direito internacional perpetuadas por Israel. O apelo de 2004 à comunidade internacional para “abster-se de participar em qualquer forma de cooperação, colaboração e participação em projectos conjuntos, de natureza académica ou cultural, com instituições israelitas”. No seguimento deste apelo, em 2005, uma esmagadora maioria da sociedade civil palestiniana apelou a uma campanha global de BDS (boicote, desinvestimento, sanções) com base nos princípios dos direitos humanos, justiça, liberdade e igualdade. O movimento de BDS adopta uma estratégia de não-violência moralmente consistente que responsabiliza Israel a aplicar os mesmos critérios de direitos humanos que outros países. Ao pedir à comunidade internacional para participar no boicote, como o fez na luta contra o apartheid na África do Sul, até “Israel se retirar das terras ocupadas em 1967, incluindo Jerusalém-Oriental; retirar as colónias dessas terras; assumir as resoluções das Nações Unidas relevantes à restituição dos direitos dos refugiados palestinianos; e desmontar o sistema de apartheid”.

Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012

NÃO ESQUECEMOS GAZA!



NÃO ESQUECEMOS GAZA!
NÃO ESQUECEMOS O GUETO DE  360KM2 PARA 1,7 MILHÕES DE PALESTINOS
NÃO ESQUECEREMOS A PALESTINA!
HOJE 27 DE DEZEMBRO DE 2012
NÃO ESQUECEMOS as 1430 vítimas, entre as quais 400 crianças, assim como todas as pessoas feridas, mutiladas e as que virão a sofrer das consequências do uso de armas químicas pelo governo israelita, aquando do massacre perpetuado pelo exército israelita a 27 de Dezembro de 2008.
NÃO ESQUECEMOS as 182 vítimas, entre as quais 82 crianças do ataque a Gaza no passado mês de Novembro.
NÃO ESQUECEMOS o assassinato dos 9 passageiros do barco Mavi Mármara a 30 de Maio de 2010, com rumo a Gaza na flotilha da liberdade.
NÃO ESQUECEMOS as 1,7 milhões de pessoas privadas dos mais elementares direitos humanos: água, comida, saúde, segurança e dignidade.
NÃO PACTUAMOS, NEM SOMOS CÚMPLICES com uma política mundial que encoraja os crimes contra a humanidade.